Thursday, October 10, 2019

Prologo: Os personagens




Belo Horizonte, setembro de 2018.

A noite estava fria e o céu estrelado, o centro de BH brilhava com as personalidades da alta sociedade que chegavam ao hotel Othon Pallace para uma festa sediada por Alfredo Mendes.

O Hotel estava prestes a fechar as portas em definitivo, uma vez que suas contas não estavam mais fechando.A festa era um ótimo evento pra equilibrar um pouco as contas do hotel, uma vez que não somente o salão , como também os quartos , a muito subutilizados, foram reservados para aqueles que atenderiam ao evento.



O milionário era alto, possuía cabelos grisalhos e penteados para atrás, um bigode, sobrancelhas grisalhas e grossas e um cavanhaque longo e pontudo. Sua riqueza foi adquirida com vários empreendimentos e investimentos em ações ao longo dos anos. Seu sorriso, assim como sua barriga, eram fartos, usava um colete grafite, e uma camisa creme. Alfredo recebeu todos os convidados ilustres de sua festa dentre eles, Leila Meneses: uma mulher loira com cerca de seus quarenta e poucos anos, usava seu cabelo loiro e cacheado preso, mas deixava alguns cachos, bem planejados escaparem de seu coque, usava um vestido “tomara que caia” longo e vermelho, assim com sua sandália de salto alto e batom, suas orelhas foram adornadas com grandes argolas douradas, seus olhos maquiados com uma sombra rosa ressaltavam seus olhos castanhos  e combinavam com seu batom de mesma cor.

Acompanhando Leila estava Viviam: uma  neurocirurgiã que já trabalhava com ela há algum tempo e ela acreditava que a hora de introduzi-la a alta sociedade havia chegado. Utilizar utilizar de seu charme e boa aparência para trazer novos fundos para o hospital seria uma boa jogada. Viviam usava um vestido midi e creme, seus longos cabelos lisos e loiros estavam soltos, sua maquiagem era leve e ressaltava sua jovialidade, com um ar de insegurança ela apertou a mão do milionário e lhe deu os tradicionais “dois beijinhos”. Alfredo ficou encantado, talvez tenha sido a simpatia da moça, talvez seu ar de deslocada em ambiente tão exclusivo, ou talvez seja sua especialidade profissional.

Sabrina Melo, esposa de Alfredo estava com um câncer, ainda que bem grave novas cirurgias poderiam salva-la, e Alfredo sabia que Leila havia escolhido alguém de sua extrema confiança para indica-lo. Após abordar a não tão jovem cirurgiã sobre o assunto, Alfredo a apresentou à Bianca: uma jovem ruiva, com sardas nas bochechas ,usava um vestido curto, verde, que contrastavam com seus lisos, e soltos cabelos laranja. Toda sua juventude exalava pelos poros, fosse por sua excelente tez, o copo de bebida em sua mão, ou o fato obvio de que essa estava afetada por entorpecentes, porém Vivian não havia percebido o obvio.

“Até que enfim alguém que não é velho e chato nessa festa” disse Bianca puxando Lilian com ânimo para o meio do salão.

Enquanto isso Juliano Sewick apresenta suas credenciais jornalísticas na portaria. Os seguranças o estranham e o tratam mal. Talvez  o motivo fosse sua aparência peculiar; Entenda, Juliano é albino, usava uma camisa social preta, com calça, paletó e gravata cinzas que faziam com que seus olhos azuis e pele clara como neve se tornassem quase ofuscantes, mas talvez, o problema fosse seu ofício. Juliano é repórter, mas não de qualquer veículo de informação, e sim do “O Especulador”, um jornal sensacionalista que adora publicar conspirações em suas páginas. Juliano foi enviado pelo seu editor Armando Carvalho, para investigar membros da maçonaria que iriam comparecer o evento e pela chance de escrever a matéria que poderia fazer sua carreira ganhar um Pulitzer: “Seria Samuel Tavares um Reptiliano?”. Apesar de levar seu oficio a sério, Juliano não acreditava na maior parte das coisas que escrevia, ao longo de seus diversos anos de profissão, tudo que investigara até agora foram boatos, mas não importava, as pessoas leem o que querem ler, e vão acreditar em qualquer coisa que você contar pra elas, por que apenas reforça o  que elas já querem acreditar.

O segurança corpulento voltara de dentro da festa confirmando as credenciais do alvo repórter, alguém havia pagado para que Juliano pudesse cobrir o evento. Filmando os seguranças ele adentrou a festa a procura de alguma história pra contar nas manchetes. 

Anthony Damasceno havia se atrasado, o carro de aplicativo o deixou na porta e ele desceu dele Teresa, que o esperava. Ela possuía  cabelos curtos, pintados de vermelho, um vestido preto e colado que valorizavam seu corpo, apesar de sua idade ( passada dos 50) , Teresa era vaidosa, seu corpo magro fazia belas curvas e seu cheiro inebriava aqueles que se aproximassem dela. Richard era um artista plástico, apesar de sua fama local , era muito prestigiado dentre os que conheciam seu trabalho, possuía a lateral da cabeça raspada e o meio mais longo, amarrado em um rabo de cavalo no topo da cabeça, por baixo de seu paletó preto, usava uma camisa xadrez e tênis vans calçavam seus pés. Eles se cumprimentaram com 3 beijinhos e Teresa elogiou sua aparência, após a gentileza retribuída, a viúva, que a começou a consumir o trabalho do artista a pouco, pretendia consumir outras coisas e apresentá-lo para a alta sociedade para alavancar sua carreira.
causando grande impressão em


Ao entrarem no salão Teresa cumprimentou de rapidamente alguns conhecidos e se dirigiu decidida até Alfredo. Lá ela apresentou Anthony ao milionário, que animado chamou um amigo: “Damião! Vem cá, tem uma figuraça aqui que você precisa conhecer!”.

Damião era baixo, andava curvado, seu cabelo já mal, mal existia a não ser por um semicírculo de fios grisalhos que cobriam a parte de traz de sua cabeça, seus óculos redondos apoiados no meio de seu nariz lhe conferiam um ar de desconfiança sempre. Ele se aproximou, e foi introduzido ao artista por Alfredo, que se retirou em seguida. Logo depois, retirou uma estatueta de uma figura bestial do bolso e com ela na mão perguntou “Você consegue restaurá-la?”, sua voz era fraca e aguda, suas mãos ficavam sempre sobrepostas uma a outra mesmo segurando o artefato. “Comprei-o de uma tribo indígena, ela é feita de argila, mas é necessário um par de mãos muito habilidosas para executar o trabalho”, disse ele observando as fortes mãos de Richard, “as suas não parecem ser muito delicadas”, prosseguiu o frágil senhor. “É preciso firmeza para se fazer o trabalho, e eu cuido bem das minhas ferramentas” disse o escultor mostrando as costas da mão para o velho com convicção e serenidade. “Pois, bem! Eu entrarei em contato em breve.”, Richard entregou um cartão para Damião e se virou pra Teresa que o convidou para tomar um drink e aproveitar melhor a festa.

Enquanto eles pegavam seu vinho ,puderam observar um rapaz claramente deslocado tentando improvisar algum movimento de dança,  sem sucesso. Esse era Ítalo Pardini: um dos primeiros convidados a chegar na festa, neto do fundador de um dos maiores laboratórios de exames do mundo e herdeiro de muita riqueza. Ítalo estava lá não em nome de sua família, mas de sua empresa; uma companhia de segurança que estava responsável pelo monitoramento do evento e havia descolado um convite pro festão para um de seus funcionários. Sua falta de tato social o fez querer recusar o convite, mas seu pai o obrigara a comparecer à festa. Um dia, Ítalo iria ocupar um cargo de importância no laboratório e teria que desenvolver suas habilidades políticas e sociais para ocupá-lo. O evento era uma grande oportunidade e assim, Ítalo vestiu uma de suas camisas marrom xadrez que usava para trabalhar, um bom terno ,e uma gravata cor de qualquer coisa; seus óculos grades e quadrados deixavam bem evidentes que aquele era de fato um NERD. Ítalo sorria sem jeito com a boca torta para todos na esperança de cativar alguém. Ele não conseguiu, mas Teresa e Richard haviam o notado: “Que cara estranho”, comentou Richard. “ Excêntrico...” -respondeu Teresa, “Ricos são excêntricos, e esse é herdeiro de uma quantia de dinheiro capaz de comprar esse falido hotel”, completou a “coroa” com um sorriso se insinuando pra cima do talentoso artista.


continua...


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